Fui contratada!
Tudo foi super surreal para mim, e até certo ponto engraçado. Minha chefe me ajudou a preencher o formulário, e se ofereceu como contato de trabalho (para a própria Red Cross!). Daí, em vez de mandar pelo correio, fui entregar o formulário, em mãos, no próprio departamento de Recursos Humanos (meu crachá dava acesso a quase todos os departamentos do prédio!). Foi engraçado quando eu entreguei o formulário dizendo que não mandei pelo correio porque eu era voluntária e trabalhava lá todo dia. Daí, eu apontei para a parede de vidro do RH e falei que a minha mesa ficava do outro lado do saguão (depois de outra parede de vidro). Falei que se alguém precisasse falar comigo, eu estaria ali todo dia de manhã, e ela riu dizendo que tudo bem, que ela iria lembrar! E no final, uma das pessoas do RH veio me entregar um papel da entrevita em mãos, lá no meu cubículo, porque era mais fácil do que mandar pelo correio! Hehehehe. Ligaram para minha chefe para saber como eu era como voluntária, já que eu nunca havia trabalhado na minha vida, sendo que aquele era meu "primeiro trabalho", e ela era meu único contato profissional. E ela deu as melhores referencias do mundo possíveis (o RH que me falou! Hehehe). Uma semana depois, o RH me ligou para confirmar as informações que coloquei no meu formulário, coisa e tal, tudo bem natural. Aí, ligaram de novo para marcar uma entrevista em pessoa, lá no prédio, já que eu tinha ido bem na "primeira entrevista", e as minhas informações coincidiam com as procuradas pela Red Cross. Lembro que pensei: "Ué, então aquele bate-papo com a Angela foi uma entrevista!?! Agora a Leah quer marcar outra entrevista!?!" Hehehehe. Pois bem, marquei com a Leah de ir à entrevista ao meio-dia, já que trabalhava todos os dias de manhã e já estaria lá no prédio mesmo.
A entrevista propriamente dita foi com o chefe/diretor do departamento para qual eu estava me candidatando, mas até então, pasmem!, eu não sabia qual era. Só sabia que iria fazer "coisas administrativas". Fui encontrá-lo em uma das salas de reunião - eu estava tão nervosa! - e acabei me deparando com umas das pessoas mais legais do mundo! Ele, super simpático, já foi se apresentando, e começamos mais um bate-papo do que uma entrevista. Ele foi perguntando se eu já era voluntária meio-período mesmo (part-time, em inglês), e eu disse que sim. Ele perguntou onde eu trabalhava exatamente, e eu falei: "Sabe o departamento de voluntários? Sabe onde fica a máquina de fax?", e ele: "Sei!". Pois então, respondi: "A minha mesa fica ali do lado!", e ele: "Ah, tá, sei sim!". Ele perguntou o que eu fazia, e eu respondi. Daí, ele admirado, perguntou se eu tinha experiência com tal coisa, e eu disse que sim, que na verdade era exatamente o que eu estava fazendo naquele dia de manhã, antes da entrevista. Ele deu uma super gargalhada, e nós começamos a conversar sobre várias coisas nada a ver com o trabalho ou entrevista de emprego. Falamos de serviço voluntariado, da Cruz Vermelha no Brasil, de meu casamento no Brasil e de como foi mudar para cá, do friozão que estava fazendo quando cheguei aqui de mudança, e o John me esperando no aeroporto com dois casacos e um cobertor - juro, é verdade! - e assim seguiu a conversa. No final, eu terminei falando porque eu era uma ótima candidata para a vaga, e ele rindo dizendo claro, claro, que se precisasse falar com ele, era só ligar em tal extensão, e anotou o número em uma das folhas da entrevista com os requisitos para contratação. Ele disse que eu teria notícias da entrevista em uma semana. E tcharan! O RH me ligou oferecendo a vaga. A Leah, gerente de contratação, me disse que meu chefe adorou a entrevista que teve comigo e pediu para eles me contratarem. Yes, eu e outra garota fomos contratadas entre uns 15 candidatos. E, novamente, como meu cubículo ficava do outro lado do saguão, o RH veio me entregar em mãos a papelada da contratação, já que era mais fácil do que mandar pelo correio...
Com a economia do jeito que está, todo mundo está dizendo que foi um milagre eu conseguir um emprego desses sem ter experiência e sem nunca ter trabalhado nos EUA. Mas eu sempre acreditei que quando surgisse uma vaga, eles me dariam uma oportunidade. Eu sempre acreditei nisso, e sempre encarei meu voluntariado como um emprego de verdade. Nunca chegava atrasada nem saía antes. Só ia embora quando tudo estava pronto, ou quase, quando havia muita coisa e seria impossível terminar em uma manhã. Quando falei para minha ex-chefe que tinha sido contratada, ela nem se admirou, pois ela sempre achou que eu tinha a completa competência para o trabalho. Ela só se queixou dizendo que agora não sabia mais o que fazer sem uma assistente de meio-período, e que tudo iria se acumular de uma forma que ela nem queria imaginar. Mas daí, lembrei de uma amiga brasileira que conheci recentemente, e que havia mandado um formulário de aplicação para nosso departamento. Eu comentei bem brevemente sobre ela aqui no blog quando disse que iria a um jantar com amigos. Bom, o nome dela é Laura, com curso superior, também fluente em Inglês e Espanhol, e com tempo disponível para voluntariado. Quando minha ex-chefe ficou sabendo disso, já logo me pediu para eu entrar em contato com ela, e assim eu fiz. Em questão de 1 ou 2 dias, elas já marcaram uma entrevista, e a Laura já foi "contratada" como voluntária e assistente da gerente do departamento de voluntários, minha antiga posição. A Laura me disse que está adorando o trabalho, minha ex-chefe me disse que está adorando a Laura e toda a sua responsabilidade com o trabalho voluntário, e eu falei para todas com estou feliz em poder ajudar! Sempre faço tudo que posso (mas que está ao meu alcance!!) para ajudar. Até brinquei com a Laura falando que a lista de espera de voluntários estava gigante, mas que eu a passei na frente de todo mundo. Ela riu até. Eu sempre achei que brasileiros devem se ajudar, mesmo que infelizmente essa não seja a regra aqui na América. Só brasileiros sabem bem como as coisas funcionam por aqui...
Enfim, apesar da recessão, estou empregada em um lugar que amo trabalhar. E, ah sim, depois que fui contratada, meu chefe me falou qual era o departamento... Tcharan... Departamento de Marketing! Bacana, né? Sou formada em Direito e Letras Português (Francês como segunda língua) no Brasil, e nunca fui a uma aula de publicidade e propaganda... Mas acabei parando nos EUA, e trabalhando na área de Marketing de uma organização internacional! Como a vida dá voltas!! Caramba!!





