Domingo, Junho 28, 2009

Fui contratada!

Depois de 4 meses trabalhando como voluntária para a American Red Cross, acabei sendo contratada por eles. Por acaso, eu estava procurando emprego no Craigslist, na área de non profits, quando vi o anúncio da Red Cross. Na hora pensei que era bom demais para ser verdade, então no dia seguinte fui perguntar para minha chefe se era aquilo mesmo, e ela me disse que houve uma reunião, mas que nada tinha sido confirmado. Mas, daí, ela disse que se colocaram o anúncio, então era porque resolveram contratar mesmo, já que as informações que seriam gerenciadas eram muito confidenciais para passar por voluntários (para quem não sabe, 90% da força de trabalho da Red Cross - Cruz Vermelha - é de voluntários).

Tudo foi super surreal para mim, e até certo ponto engraçado. Minha chefe me ajudou a preencher o formulário, e se ofereceu como contato de trabalho (para a própria Red Cross!). Daí, em vez de mandar pelo correio, fui entregar o formulário, em mãos, no próprio departamento de Recursos Humanos (meu crachá dava acesso a quase todos os departamentos do prédio!). Foi engraçado quando eu entreguei o formulário dizendo que não mandei pelo correio porque eu era voluntária e trabalhava lá todo dia. Daí, eu apontei para a parede de vidro do RH e falei que a minha mesa ficava do outro lado do saguão (depois de outra parede de vidro). Falei que se alguém precisasse falar comigo, eu estaria ali todo dia de manhã, e ela riu dizendo que tudo bem, que ela iria lembrar! E no final, uma das pessoas do RH veio me entregar um papel da entrevita em mãos, lá no meu cubículo, porque era mais fácil do que mandar pelo correio! Hehehehe. Ligaram para minha chefe para saber como eu era como voluntária, já que eu nunca havia trabalhado na minha vida, sendo que aquele era meu "primeiro trabalho", e ela era meu único contato profissional. E ela deu as melhores referencias do mundo possíveis (o RH que me falou! Hehehe). Uma semana depois, o RH me ligou para confirmar as informações que coloquei no meu formulário, coisa e tal, tudo bem natural. Aí, ligaram de novo para marcar uma entrevista em pessoa, lá no prédio, já que eu tinha ido bem na "primeira entrevista", e as minhas informações coincidiam com as procuradas pela Red Cross. Lembro que pensei: "Ué, então aquele bate-papo com a Angela foi uma entrevista!?! Agora a Leah quer marcar outra entrevista!?!" Hehehehe. Pois bem, marquei com a Leah de ir à entrevista ao meio-dia, já que trabalhava todos os dias de manhã e já estaria lá no prédio mesmo.

A entrevista propriamente dita foi com o chefe/diretor do departamento para qual eu estava me candidatando, mas até então, pasmem!, eu não sabia qual era. Só sabia que iria fazer "coisas administrativas". Fui encontrá-lo em uma das salas de reunião - eu estava tão nervosa! - e acabei me deparando com umas das pessoas mais legais do mundo! Ele, super simpático, já foi se apresentando, e começamos mais um bate-papo do que uma entrevista. Ele foi perguntando se eu já era voluntária meio-período mesmo (part-time, em inglês), e eu disse que sim. Ele perguntou onde eu trabalhava exatamente, e eu falei: "Sabe o departamento de voluntários? Sabe onde fica a máquina de fax?", e ele: "Sei!". Pois então, respondi: "A minha mesa fica ali do lado!", e ele: "Ah, tá, sei sim!". Ele perguntou o que eu fazia, e eu respondi. Daí, ele admirado, perguntou se eu tinha experiência com tal coisa, e eu disse que sim, que na verdade era exatamente o que eu estava fazendo naquele dia de manhã, antes da entrevista. Ele deu uma super gargalhada, e nós começamos a conversar sobre várias coisas nada a ver com o trabalho ou entrevista de emprego. Falamos de serviço voluntariado, da Cruz Vermelha no Brasil, de meu casamento no Brasil e de como foi mudar para cá, do friozão que estava fazendo quando cheguei aqui de mudança, e o John me esperando no aeroporto com dois casacos e um cobertor - juro, é verdade! - e assim seguiu a conversa. No final, eu terminei falando porque eu era uma ótima candidata para a vaga, e ele rindo dizendo claro, claro, que se precisasse falar com ele, era só ligar em tal extensão, e anotou o número em uma das folhas da entrevista com os requisitos para contratação. Ele disse que eu teria notícias da entrevista em uma semana. E tcharan! O RH me ligou oferecendo a vaga. A Leah, gerente de contratação, me disse que meu chefe adorou a entrevista que teve comigo e pediu para eles me contratarem. Yes, eu e outra garota fomos contratadas entre uns 15 candidatos. E, novamente, como meu cubículo ficava do outro lado do saguão, o RH veio me entregar em mãos a papelada da contratação, já que era mais fácil do que mandar pelo correio...

Com a economia do jeito que está, todo mundo está dizendo que foi um milagre eu conseguir um emprego desses sem ter experiência e sem nunca ter trabalhado nos EUA. Mas eu sempre acreditei que quando surgisse uma vaga, eles me dariam uma oportunidade. Eu sempre acreditei nisso, e sempre encarei meu voluntariado como um emprego de verdade. Nunca chegava atrasada nem saía antes. Só ia embora quando tudo estava pronto, ou quase, quando havia muita coisa e seria impossível terminar em uma manhã. Quando falei para minha ex-chefe que tinha sido contratada, ela nem se admirou, pois ela sempre achou que eu tinha a completa competência para o trabalho. Ela só se queixou dizendo que agora não sabia mais o que fazer sem uma assistente de meio-período, e que tudo iria se acumular de uma forma que ela nem queria imaginar. Mas daí, lembrei de uma amiga brasileira que conheci recentemente, e que havia mandado um formulário de aplicação para nosso departamento. Eu comentei bem brevemente sobre ela aqui no blog quando disse que iria a um jantar com amigos. Bom, o nome dela é Laura, com curso superior, também fluente em Inglês e Espanhol, e com tempo disponível para voluntariado. Quando minha ex-chefe ficou sabendo disso, já logo me pediu para eu entrar em contato com ela, e assim eu fiz. Em questão de 1 ou 2 dias, elas já marcaram uma entrevista, e a Laura já foi "contratada" como voluntária e assistente da gerente do departamento de voluntários, minha antiga posição. A Laura me disse que está adorando o trabalho, minha ex-chefe me disse que está adorando a Laura e toda a sua responsabilidade com o trabalho voluntário, e eu falei para todas com estou feliz em poder ajudar! Sempre faço tudo que posso (mas que está ao meu alcance!!) para ajudar. Até brinquei com a Laura falando que a lista de espera de voluntários estava gigante, mas que eu a passei na frente de todo mundo. Ela riu até. Eu sempre achei que brasileiros devem se ajudar, mesmo que infelizmente essa não seja a regra aqui na América. Só brasileiros sabem bem como as coisas funcionam por aqui...

Enfim, apesar da recessão, estou empregada em um lugar que amo trabalhar. E, ah sim, depois que fui contratada, meu chefe me falou qual era o departamento... Tcharan... Departamento de Marketing! Bacana, né? Sou formada em Direito e Letras Português (Francês como segunda língua) no Brasil, e nunca fui a uma aula de publicidade e propaganda... Mas acabei parando nos EUA, e trabalhando na área de Marketing de uma organização internacional! Como a vida dá voltas!! Caramba!!

Terça-feira, Junho 02, 2009

...

Esse recadinho é só para dizer que estou bem, e que as coisas estão ótimas por aqui. Tenho novidades que contarei assim que tiver mais tempo, pois ando numa correria que só. Beijinhos.

Quinta-feira, Abril 30, 2009

Maison Française

Ontem eu fui à French House aqui de Madison com uma amiga canadense que tem como língua materna o Francês. Quando estava na faculdade de Letras, o Francês foi a minha segunda língua, depois do Português. Mas, desde que me formei, não falo mais Francês por totalmente falta de um parceiro de conversa. Daí, claro que meu Francês foi me dando tchau até arrumar as malar e ir embora...

Bom, com o convite da Jeannine, fomos a um jantar bem informal onde só se falava Francês. Foi estranho ficar ouvindo só Francês por todos os cantos. Isso não acontecia desde quando cursava Letras, e me deu um certo nervoso porque não estou mais acostumada com essa língua. Fiquei lembrando que estava acontecendo o mesmo quando eu tinha aulas de Inglês. Eu entendia, mas não conseguia falar ou não lembrava das palavras. E o engraçado foi que quando eu formulava uma frase, ela vinha em Inglês!

Mesmo assim, a experiência foi fantástica, e eu pretendo voltar lá de novo. Meu vocabulário em Francês foi voltando aos poucos, e ao ouvir as pessoas falando ou "tentando" conversar comigo, eu ia me lembrando dos verbos e substantivos. Minha amiga me disse que isso é questão de tempo e prática porque o mais difícil é ter que aprender, mas uma vez que você já sabe, só é preciso "fazer" o cérebro se lembrar, já que a informação já está arquivada por lá!

Crazy Legs

http://eyedance.blogspot.com/2008/04/crazy-legs-run.html

A corrida Crazy Legs, bem popular aqui em Madison, aconteceu no sábado passado, sob um chuvão medonho. Até o último momento, eu sinceramente pensei que eles iriam cancelar tudo porque a chuva estava bem forte, e umas horas antes até raios e trovões nós tivemos. Pois bem, não cancelaram, e o John com uns amigos enfrentaram a corrida. Mesmo fora de forma e tendo asma, John terminou os 8 quilômentros em 47:04, isso porque ele ficou cansaço por um tempo e teve que andar. Eu achei fantástico porque nos meus treinos levo uma hora, pelo menos, sem parar, para terminar essa distância. O engraçado foi que o John me falou que a todo momento ele achava que iria ter pneumonia por causa da chuva e do friozão. Uma amiga minha que também correu com o marido dela e sogros, ficou com tanto frio que teve que "vestir" um saco preto de lixo para tentar conter o frio enquanto esperavam pela largada (acho que demorou pouco mai de uma hora!). Pois bem, passei a manhã toda sob minha cobertas quentinhas, cochilando e acordando de vez em quando para checar o horário. Depois que a corrida acabou, eles me ligaram, e eu fui encontrá-los na casa dessa amiga para irmos todos almoçar. O comentário sobre minha desistência da corrida foi unânime: foi a melhor coisa que fiz na minha vida! Hahaha. Mas quem sabe eu não encare na próxima vez, a caminhada Crazy Legs em vez da corrida.

Segunda-feira, Abril 06, 2009

Red Cross

O trabalho lá na Red Cross continua indo muito bem. Já fiz várias amizades e novos contados profissionais. Eu estou trabalhando meio período, na parte da manhã, de segunda a sexta. Além de ser algo bacana de fazer, ajudo quem precisa e ganho experiência profissional. Já espalhei para todo mundo que estou procurando emprego e várias pessoas já estão de olho por mim no que aparecer por aí.

Uma das coisas mais legais que aconteceram até agora foi o fato de eu ter feito uma bonita amizade com minhas duas chefes: a diretora do Disaster Services e a gerente do Volunteer Services. A diretora é albanesa, casada com um italiano, e tem um filhinho americano com quem só falam em italiano e albanês. A gerente é americana e japonesa, um amor de pessoa, e tem me ensinado muitas coisas lá no departamento, além de uma coisinha aqui e ali em japonês. Já fui almoçar com as duas, separadamente, e é incrível como temos o que conversar. O papo não acaba. Sei que vou sentir saudades delas quando eu arranjar um emprego por ai.

Enfim, tudo está ótimo. Nem sei porque demorei tanto para aplicar para o serviço voluntariado. Se antes eu ficava um pouco envergonhada em falar inglês com sotaque, hoje já falo tudo com todo mundo. Dias desses meu cunhado até brincou dizendo que eu estou perdendo meu sotaque, já que quando eu recém cheguei, ele era bem forte, mas agora já está bem mais suave.

Para quem tem vontade de ser voluntário, eu aconselho muito mesmo a seguir esse caminho. Para quem não tem experiência de trabalho nos EUA é a melhor opção porque é fácil de ser "contratado" e serve como experiência de um emprego normal. Se você quer ser voluntário na Red Cross - Badger Chapter, é só entrar em contato comigo, literalmente, já que é isso mesmo que eu faço por lá :-)

Segunda-feira, Março 23, 2009

...

Acabei de voltar do dentista onde fui fazer a revisão básica a cada seis meses. A revisão foi feita pela mesma pessoa que a fez na última vez, e foi bem legal reencontrá-la de novo. O nome dela é Heidi e ela também faz revisão nos dentes do John. O bacana foi que mês passado, quando o John teve uma consulta com ela, eles descobriram que têm uma amiga em comum de longa data. Dai, como a Heidi tem um amigo que namora uma brasileira que não conhece ninguém do Brasil por essas bandas, ela nos telefonou para marcar de ir jantar conosco, esse casal e o casal de amigos em comum. Quatro casais. Acho que será bem divertido porque o casal de amigos do John, e que agora também são meus amigos, são super legais, e a Heidi também é bem bacana. O encontro será mês que vem, e depois eu volto aqui para contar como foi.

Quinta-feira, Março 19, 2009

Treinamento para corridas

Acho que a novidade que tenho para contar é que parei o meu treinamento para a corrida 8K, conhecida como Crazy Legs, que ocorrerá no final de abril. Eu já consigo correr por 8 quilômetros direto, mas tive que parar porque estava começando a me sentir mal, além de várias dores pelo meu corpo. Uma marca roxa apareceu no meu joelho direito, e eu entendi que estava exigindo demais do meu corpo para algo que eu nem gosto muito. Nunca fui fã de esportes e não gosto de me exercitar, ainda mais de correr! Acontece que o tempo está passando, e eu não quero olhar no espelho um dia e ver que tudo caiu. A minha intençao era fortalecer meus musculos e provar que eu tinha condicionamento suficiente para uma meia maratona. Claro que uma meia maratona tem mais ou menos 21 quilômetros que são bem diferentes de 8, mas sei que se tivesse continuado com meu rítimo, eu teria conseguido chegar até lá.

Já faz 3 dias que não treino. Tenho me sentido bem melhor e não tão cansada como eu estava me sentindo. Fora as corridas, eu não conseguia fazer mais nada e em vez de ganhar mais energia, eu estava ficado preguiçosa. Agora, em vez de correr por uma hora, vou caminhar rápido pela mesma quantidade de tempo, ou menos. Quero apenas me manter ativa sem me machucar.

A minha cunhada é maratonista, daquelas que corre mesmo maratona há 15 anos ou mais. A última foi uma meia maratona na Disney, na Flórida, em que ela completou em um tempo muito bom. Entretando, por causa das corridas, ela já teve váris problemas nos joelhos, tornozelos e ombros. O John também era maratonista, mas teve que parar com as corridas por causas de problemas nos joelhos também, além da asma que ele tem.

Por isso, não quero continuar com isso. Vou acabar machucada e tendo que fazer alguma cirurgia por causa de alguma lesão. Além do que, eu estava ficando tão, tão cansada que notei algumas ruginhas no meu rosto e joelho que não estavam lá antes. Sei que todo mundo envelhece, mas três meses atrás, quando comecei meu treino, elas não estavam lá. Comecei a notar que essas pessoas que fazer muito exercício, seja maratonas ou triatlos são, na maioria, cheias de rugas no rosto. Vocês já notaram? Olhem fotos ou vejam videos de triatlos para ver como todo mundo é bem sequinhos e enrugado. Eu até pesquisei sobre o assunto e não é que é verdade mesmo! Quando você faz exercícios em excesso, muito excesso, a oxidação das celulas aumenta e as rugas aparecem. Bom, depois disso, daí mesmo que não quero continuar com isso.

Sábado, Março 07, 2009

Reforma Ortográfica

A partir desta postagem, o Sunshine passa a adotar a ortografia da reforma ortográfica da Língua Portuguesa que entrou em vigor no dia primeiro de janeiro de 2009. Não que muita coisa tenha mudado para nós brasileiros, pois a mudança foi maior para nossos amigos portugueses. Agora, temos 26 letras, pois foram incluídas as letras K, W e Y no nosso alfabeto, mas acabamos por perder o sinal do trema. Concordo que se faça uma reforma para uniformizar a escrita da Língua Portuguesa, mas confesso que senti uma dorzinha por perder o trema. Aqui em casa, não fui só eu quem sofreu, já que o trema era o sinal preferido do John (porque formava um rostinho feliz quando em cima da letra ü). Bom, agora é encarar as mudanças e aceitar as perdas. Outras palavras perderam o acento agudo, como ideia, heroico, geleia, entre outras. O negócio é se adaptar e, aos poucos, incorporar a nova escrita como se fosse bem natural. O Português continua sendo um idioma lindo com uma pronúncia charmosa e bem melódica.

Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009

Rosetta Stone

John começou a estudar Português com mais afinco e está super empolgado com o curso dele. Na verdade, o curso é o software Rosetta Stone, e ele está amando o programa. Quase todos os dias ele tira um tempinho para fazer pelo menos meia hora de exercícios e, de fato, está aprendendo um monte de coisas. Ele está aprendendo muito mais do que quando eu estava dando umas aulas tipo um curso normal com professor e sala de aula. Com o Rosetta Stone, ele tem que combinar a figura com a frase que é dita, e o fato de poder "ver" o que a frase ou sentença significa tem ajudado muito. O vocabulário dele já está bem grande, e ele inclusive consegue formar sentenças tirando exemplos do Rosetta, tipo "A mulher/menina está andando/correndo/nadando". Outra coisa bacana é o fato de você poder gravar a sua pronúncia para ver se você está falando tudo certinho., além de treinar sua redação em Português (mas bem lá no nível avançado). Você também pode escolher se quer a voz feminina ou masculina. Ele mesmo está assustado com a quantidade de coisas que ele está aprendendo sem nem mesmo perceber. Acho que o que tem feito a diferença é o fato de ele sempre usar as palavras já aprendidas, mesmo que misturando com o Inglês. O conteúdo acaba ficando uma salada de Português com Inglês, mas o mais importante é passar a mensagem, e isso ele tem feito muito bem. Eu recomendo o Rosetta Stone para qualquer pessoa que queira aprender um novo idioma, mas já vou avisando que o preço é para lá de salgado. Como nós compramos esse software há mais de um ano, não tenho certeza do valor exato hoje, mas na nota fiscal incluindo o imposto deu 315 dólares (o pacote completo). É caro, mas vale a pena.

Segunda-feira, Fevereiro 23, 2009

Amigos a beira de um ataque de nervos

Esse último final de semana foi movimentado aqui em casa. Explico. Nós temos um casal de amigos que são queridíssimos para nós, mas como nada é perfeito, eles têm um problema: Estão sempre brigando. E eu não falo de qualquer trocas de farpas, mas sim de briga mesmo. Originalmente, eles eram amigos só do John, mas depois que casamos, eu mantive a "herança" dessa amizade dele, coisa que não quis e não fiz com outras.

O estranho ou engraçado, não sei bem, é que cada um, separadamente, é uma excelente pessoa, super amável, leal, simpático, e afins. São excelentes amizades, mas quando juntos, acabam o dia de qualquer um. E nesse último sábado não foi diferente. De fato, não foi diferente de nenhum outro encontro que já tivemos com eles, ou que o John, quando ainda solteiro, já teve com eles.

É desde o momento que chegamos até quando saímos: as brigas nunca terminam. Especialmente para mim, é desconfortável, é desgastante, é totalmente inaceitável. Para mim, roupa suja se lava em casa, não em público. Digo em público porque quando me refiro a brigar na nossa frente, significa brigar na frente de todo mundo, seja no restaurante, no hotel, na rua, etc. Eu fico muito envergonhada pela situação, mesmo não estando envolvida. Mas para piorar, muitas vezes eles acabam tentando nos envolver, talvez mesmo sem saber, com deixas do tipo "Cris, imagina se o John blablabla" ou "John, o que você pensaria se blablabla". Naquele sábado, por mais que o John dissesse que não era da nossa conta e que não queríamos saber da vida particular deles - disse com todos as palavras - eles continuavam a tentar se defender como se fossemos juízes e eles sendo julgados.

O John também não gosta, mas tolera bem já que não é com ele. Mas eu não gosto e pronto. Nós conversamos sobre a situação e chegamos ao acordo que nossos encontros serão diminuídos, mas não encerrados, já que, de novo, adoramos os dois e eles são pessoas super bacanas - separadamente.

E sabe poque não nos envolvemos? Porque no final você acaba passando pelo errado e malvado na história toda. Isso é universal, já aconteceu comigo, com o John, e com várias outras pessoas que conhecemos. E nesse caso específico desse casal, eles brigam, se separam, e depois voltam de novo. Volta e meia ela me conta que aconteceu isso, isso, e aquilo e me pergunta o que eu acho. Eu sempre digo que não sei, mas dessa última vez eu não me agüentei e tive que dizer o que pensada, mas bem resumidamente. Disse que se é para viver daquele jeito, qual a razão de ficar junto, além do que se ele briga daquele jeito em público, imagina depois de casados e dentro de casa (ele era muito mais escandaloso que ela, já que de fato ela até tentava evitar o barraco). E chega, não falo mais nada. Que cada um viva a sua vida do jeito que bem entender. Mas a minha vida eu vivo do meu jeito, e tenho totalmente o direito de vetar quem eu não gosto e situação vexatórias.

Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009

Rumo profissional

Lembro que desde quando estava na faculdade, quando estudada Direito, eu não me via como uma advogada. Na verdade, nem conseguia pensar na idéia porque me entristecia. Sei que o curso de Direito é um imenso sonho para muitas pessoas, mas sempre foi um pesadelo na minha vida. Não gostava do curso antes de fazê-lo, não gostei do curso durante os 5 anos de faculdade e acabei me formando em algo que nunca gostei desde o princípio. No final, em vez de acabar me acostumando como muitas pessoas que também fizeram o curso sem gostar, eu acabei odiando. Quem me conhece bem, sabe que isso aconteceu por pressão da minha família, pois acreditavam que meu futuro estaria garantido se eu me formasse em um curso de respeito, e em uma faculdade renomada que me garantisse uma profissão de grande peso profissional. Enfim, eles, principalmente meu pai, tiveram seus motivos já que eu ainda era muito nova e não sabia muito bem o que fazer na minha vida, porém causou um certo estrago porque eu sempre fiquei perdida sobre que rumo tomar na minha vida. Sei que todos que defendiam o Direito têm mais experiência de vida, e sabem muito bem como o mercado profissional funciona. Antes de fazer Direito, eu fazia Relações Internacionais, e amava meu curso em todos os aspectos. Eu queria trabalhar em alguma Organização Internacional ou ser diplomata, queria aprender outras línguas, viajar e conhecer outros lugares e culturas, e também ter tudo isso como profissão.

Logo no início do curso de Relações Internacionais, eu também fui aprovada no vestibular para o curso de Letras, em uma universidade pública, e achei que poderia fazer as duas ao mesmo tempo já que não precisava trabalhar. Escolhi Francês e Português e me matriculei no curso.

Depois de um tempo, fiz outro vestibular para o curso de Direito e deixei o curso de Relações Internacionais. Iniciei o curso de Direito e lembro direitinho que no primeiro dia de aula, quando a professora mandou abrir o Código Civil no artigo tal, eu pensei: "Meu Deus, o que que eu estou fazendo aqui?". Eu nem sabia como os códigos funcionavam, que eram separados por capítulos e estes por títulos, que os artigos tinham parágrafos e estes por sua vez tinham alíneas. Eu só consegui me localizar quando uma boa alma do meu lado percebeu meu desespero e gentilmente pegou meu código e abriu na página certa, além de apontar onde estava o artigo e o tal do parágrafo. E posso dizer que meu primeiro semestre de Direito foi dali ladeira a baixo. Depois eu melhorei bastante, mas até chegar ao ponto de entender tudo e falar no jargão jurídico, eu prefiro nem lembrar...

Enfim, nem tudo são lágrimas porque fiz grandes amizades e conheci muitas pessoas legais, outras não tão legais, e outras totalmente descartáveis. E meu curso também não foi um total desperdício já que aprendi várias coisas, teóricas e práticas, além de lições de vida. Uma delas é que quando alguém que tem muito a dizer e mostrar, na verdade nem é tudo aquilo, e sim quase nada. Enquanto que algumas pessoas que ficam na sua, são simples e vivem uma vida igual a de qualquer outra pessoa são sim as que tem muito, e, putz!, conheci gente simplíssima que tem muito e pra caramba!! Ou seja, em Brasília, em um curso de Direito, você aprende muito mais do que leis e processos, governos e organizações.

No final das quantas, acabei formada em Direito e Letras, mas neste caso só em Português. No meio do curso eu deixei o Francês e me foquei só em Português. Foi uma mistura de influências do pessoal do curso de Direito (falavam que se era para fazer Direito, então eu deveria ter um Português excelente e não Francês...) mais algo pessoal mesmo, já que aprendi a gostar de Português (antes odiava).

Quando me formei, vi-me perdida porque não sabia "o que queria ser quando crescer". Meus amigos estavam trabalhando em grandes escritórios jurídicos, outros para o governo, outros abriram o próprio escritório. Em Brasília, a pressão de se fazer um concurso público na área jurídica é extremamente forte. Chega ao ponto das pessoas, indiretamente, quererem uma explicação do porquê de você não ter se inscrito depois de tal edital. É incrível. E no meio de todo esse burburinho de formatura, entrevistas, concursos e pós-graduações (ah sim, todo mundo faz pós em Brasília...), eu me casei e depois me mudei para os Estados Unidos. Muitos falaram que minha carreira iria deslanchar... E eu só pensava comigo: "Bunfh... ah tá, é certeza!"

Confesso que já pensei em ser advogada aqui porque quem faz Direito no exterior só precisa fazer um curso de mestrado especial para esses casos e passar na Ordem dos Advogados do estado em que você deseja atuar. Eu até já fiz várias entrevistas para ser paralegal (assistente do advogado), mas hoje vejo que foi uma salvação eu não ter sido contratada. Já fiz entrevistas para bancos e foi outra salvação não ser selecionada. Ah, vocês acreditam que em vários lugares, bancos e escritórios, eles me falaram que eu era muito qualificada (duas graduações e pós, mais idiomas) e que eu não demonstrava que iria ficar naquela posição por muito tempo!!! Na época eu fiquei puta da vida, mas agora encaro isso como mais uma salvação de uma força superior. Depois de várias entrevistas, eu até fiquei craque no assunto, e nem ficava mais nervosa. Já era tudo natural para mim. Tão natural eles acharem que ou eu era extremamente qualificada para uma posição ou eu não tinha experiência suficiente para outra. Nada acontece por acaso na vida e eu acredito muito nisso. Para tudo existe uma razão, e é aqui, depois dessa longa explicação, que eu quero chegar.

Tempos atrás, minhas cunhadas e sogra me falaram que eu poderia ser voluntária e que qualquer lugar iria me aceitar para a vaga. Elas falaram que eu poderia escolher uma área que eu gosto e que rapidinho eles me escolheriam, além do que aqui o serviço voluntário conta muito em experiência no seu currículo, tanto como um emprego normal. Pois bem, depois de mais de um ano morando aqui, agora eu me sinto super confortável com meu Inglês, e sinto que voltei a ser aquela pessoa que no Brasil resolvia tudo sem ajuda de ninguém. Com o fim do ano passado e início desse ano, eu me senti mais forte e capaz, e fui pesquisar algo que me traria satisfação pessoal. E novamente veio à minha idéia de Organização Internacional. Preenchi um formulário de inscrição e páa-pumm, me chamaram para uma entrevista. A gerente ficou impressionada com minha educação e minha disponibilidade de tempo (40 horas por semana, hehehehe) e já foi logo "me contratando". Pois bem, já faz mais de uma semana que sou a mais nova assistente administrativa voluntária da American Red Cross, e respondo à gerente de voluntários, do estado de Wisconsin.

O trabalho administrativo que faço é meio chatinho, mas mesmo assim me traz uma gratificação imensa. Muito mais do que um título de advogada, promotora ou juíza me traria. Eu me sinto útil e sinto que agora eu tenho um propósito. Nem me lembro da última vez que me senti assim, e estou gostando muito da sensação. Eu trabalho no recrutamento de novos voluntários, já que a ARC funciona praticamente com 90% de seus funcionários oriundos de serviços voluntários. É interessante ver como algumas pessoas são super empolgadas em ser voluntárias, e os tipos de serviços que elas se dispõem a fazer. Meu serviço não é muito glamoroso, mas admiro as pessoas que se voluntariam para o departamento de busca e resgate em desastre, por exemplo. Eu não poderia fazer isso de jeito nenhum, já que não tenho frieza nem psicológico para isso. Mas acho interessante, e se eles querem isso, sejam bem-vindos.

Hoje eu só tenho a agradecer por finalmente poder fazer aquilo que gosto e que sempre quis fazer. Como é incrível que tudo foi se formando e engrenando para resultar nisso. Por isso que novamente digo que nada acontece por acaso. Adoro ajudar os outros e no momento não consigo nem pensar em trabalhar num banco.


Terça-feira, Janeiro 27, 2009

Dia de Natal

Essas são as fotos atrasadas do dia de Natal aqui em casa. Como todo mundo viajou, passamos o Natal sozinhos, mas tudo foi bem divertido. Os presentes já estavam posicionados, mas daí, na véspera de Natal, o "Papai Noel" veio e colocou vários cartõezinhos na árvore para a manhã do dia seguinte. Detalhe para o embrulho dos presentes e do CD que o John me deu. Na verdade, combinamos de não dar presentes um para o outro para economizar um pouco, mas daí o John apareceu com esses presentes. Foram caixas de bombons que ele mesmo embrulhou! Achei bonitinho ele ter dito que nosso Natal não poderia passar em branco. E quanto ao CD de músicas do ABBA... Sim, confesso... Sou fãzona, tá! ;-P